quarta-feira, 22 de abril de 2009

Mais um policial morto. Mais um bandido preso

Um investigador é assassinado ao lado da mulher em uma oficina mecânica no Sacomã, na zona sul de S. Paulo

18hs. Terça-feira, 21 de abril de 2009. Feriado nacional de Tiradentes. José Carlos Cardoso, de 58 anos, está de folga nesse feriado prolongado. Dias atrás, ele havia deixado o Palio da esposa na oficina mecânica localizada no número 195 da avenida Carlos Liviero para alguns reparos. Na tarde de terça-feira o casal foi buscá-lo.

Quando a mulher entrou no Palio, um bandido armado aproximou e a bordou. “Passa o carro... vai... vai...”. O marido, chefe dos investigadores do 7º DP de SBC, estava em seu Meriva quando notou que algo estranho acontecia. Agora, cumprindo o dever de qualquer policial, Cardoso deu voz de prisão ao bandido. O criminoso desobedeceu à ordem e atirou. Em questão de milésimos de segundos o investigador revidou, quase por instinto. O bandido foi atingido de raspão e fugiu a pé. Já Cardoso levou a pior, pois a bala o atingiu na região direita do abdômen.

Os próprios mecânicos o levaram para o Pronto Socorro do Hospital Municipal Dr. Arthur Ribeiro Saboya, no Jabaquara, mas não resistiu. Assim termina os 30 anos de serviços prestados à população.

Depois de um cansativo plantão, estou de volta à redação no meu horário habitual, à 0h. Abro a caixa de e-mail e já está especificado. “Feche uma edição sobre o cara que atropelou 12 pessoas em Cidade Tiradentes”. Ok. Peguei os equipamentos e saí em direção à distante Tiradentes, não a de MG, mas aquela da Cohab.

Antes de sair, passei na TV para ver se o rádio-escuta da vez estava com alguma ocorrência boa. “Oh, estamos fazendo o caso de um policial que foi baleado no Sacomã. O caso está na seccional de SBC.” Pensei: isso pode crescer e tenho que fazer o caso. O que fiz? Enforquei a pauta de Tiradentes e segui em direção à cidade que adotou o nosso presidente Lula. Os companheiros, que entram às 23hs, já estavam na seccional. Cada um com um pedaço do quebra cabeça do caso. Na seccional um delegado já conhecido, Mitiaki Yamamoto.

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Para mim já estava bom, mas as TVs precisam de imagem, e nada melhor imagem do preso. Depois de muita insistência por parte de dois repórteres, os tiras trazem Luis Miguel Ueda Alonso para ser interrogado, agora, pela imprensa.



Ele já tinha passagem pelo CDP Vila Prudente em 2007 por receptação de carro roubado e foi libertado graças a um alvará de soltura. Naquela ocasião, a advogada dele também foi detida por tentativa de suborno, mas também foi liberada e ontem estava na porta da delegacia em defesa do acusado. Os policiais acreditam que ele faça parte de uma quadrilha especializada em roubo de carros na região do ABC e zona sul de São Paulo.

Caso fechado, então vamos comer: Estadão ou Mc? Mc, Mc, Estadão, Mc: Mc venceu, 3 a 1! Seguimos rumo ao McDonald’s da Avenida dos Bandeirantes, isso às 3h30. Mandei um Mc Galinha com suco de laranja. Papo bom e já na rua nos preparávamos para ir cada um a sua redação. Mas quem disse que a madrugada iria parar por aí? (To be continued)

Um comentário:

  1. "Positivo, nós tivemos sorte": triste, mas em relação ao que aconteceu, era o final menos infeliz possível.

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