Dois crimes. Duas pessoas. Dois nomes iguais. Destinos diferentes.
Renato de Holanda Bessa Junior tem 26 anos, morador de Boa Vista, capital de Roraima. Boa condição financeira - aliás, o pai é capitão reformado da polícia militar do Estado. Ele é atraído pelo dinheiro fácil e entra para o tráfico de drogas. Renato foi preso ontem à tarde após uma emboscada feita por policiais civis, que o seguiam há aproximadamente dois meses, transportando 100 quilos de cocaína no fundo falso da caçamba de uma caminhonete com placas de Maringá. Ele trazia os entorpecentes do Paraná e entregaria em São Paulo. O valor para realizar o transporte: US$10 mil. Destino: Cadeia.
Ouça
Renato Alves da Silva tem 31 anos, morador do bairro Guaianazes, na zona leste de São Paulo. Não tem uma boa condição financeira. Renato passou parte da vida na cadeia. Há três meses foi liberado. Como o outro Renato, esse aqui também é especializado em transporte, mas de passageiros. Todos os dias ele leva e trás várias pessoas entre o Jardim São Paulo e a Estação Corinthians-Itaquera do Metrô. Renato agora é motorista em uma cooperativa de ônibus da capital. Ontem à noite, logo após a última viagem, ele foi executado dentro da lotação em que trabalhava. O atirador fugiu. Destino: (...)
Ouça
*Esses foram os dois casos que cobrimos na madrugada do dia 17/05/10
** Com informações da polícia civil, militar e testemunhas
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segunda-feira, 17 de maio de 2010
Renato e Renato
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quarta-feira, 24 de junho de 2009
“Meu nome agora é Zé Pequeno, p...”
Uma “mini quadrilha” é apreendida na zona sul de São Paulo com carro furtado. O “chefão” tem na verdade 12 anos e 1 metro e 20 de altura

Por acaso vocês lembram daquele garoto de 12 anos que já tem 11 passagens pela polícia? Especialista em furtar carros? Pois é, seus dias de glória terminaram. Agora ele tem um adversário “à altura”.
O novo menino prodígio gosta de ser chamado de Zé Pequeno (em referência ao personagem do filme Cidade de Deus, que comete crimes desde a infância). Ele é franzino, tem 12 anos e já é chefe de uma quadrilha de adolescentes.
Ele mostrou suas habilidades ontem à noite no Jardim Aeroporto, na zona sul da capital...
Na tarde desta terça-feira (24) o menino foi à concessionária Rumo Norte, localizada na esquina da Rua Viaza com a Avenida Washington Luiz, e ficou impressionado com os carros que ali estavam: Astra, Corsa, Meriva, Montana, Prisma e muitos outros. Mas o que fez os olhos do menor brilhar foi um Celta, que retribuiu o brilho, pois acabara de ser polido.
Mesmo sabendo que ainda faltam seis anos para tirar a carteira, ele não se intimidou. Entrou de cabeça erguida na loja, notou que virou foco de todos os olhares, e sem perder tempo abriu a porta do Celta, entrou e sentou.
O segurança logo veio e...”Pô garoto, sai daí meu...Vaza! vaza”! Essa frase, tão pequena quanto o jovem, cresceu no seu interior, mas como forma de ódio. Já em direção a saída da concessionária, o menino ameaçou: “Eu vou voltar e é para roubar o carro”. O segurança deu de ombros e esqueceu aquela história.
Quem não havia esquecido aquela história era o menino, que agora virou “Zé Pequeno”. Confiante, ele recrutou mais três jovens, de 13, 14 e 15 anos. À noite, o plano seria concretizado. E foi isso que aconteceu.
Na calada da noite, os pestinhas aproveitaram que os vigias estavam distraídos, pularam o muro - de aproximadamente 1 metro e 50 - e foram em busca do carro. Naquele momento, o veículo que estava dando sopa era um Astra quatro portas preto com a chave no contato.
Zé Pequeno assumiu o volante, colocou o banco mais na frente possível e acelerou, arrombando assim o portão de aço da concessionária. Daí em diante foram duas horas de curtição com o novo carro.
O soldado Jerrival Almeida Souza, da 1º Cia. do 12º BPM/M, voltava para casa de mais um dia corrido no trabalho quando avistou um veículo preto parado na Rua Lacedemônia. “Tinha dado uma pane no veículo e eu notei que um menor desceu assustado e ficou olhando para o carro. Como eu sabia que um pouco mais cedo tinha sido furtado um Astra de uma concessionária, isso me chamou a atenção. O que mais me chamou a atenção foi o tamanhinho do que estava dirigindo”, disse.
Quando o soldado se aproximou, Zé Pequeno fez o carro funcionar e saiu em disparada pela contramão. Durantes os três minutos de perseguição Zé Pequeno foi grande, valente e não tirou o pé do acelerador. Mas já dizia meus pais quando eu era menor: “O errado sempre perde”. E foi isso que aconteceu.
Na esquina com a Avenida Santa Catarina o policial, que agora fazia hora extra, abordou a mini quadrilha e fez a apreensão.
E esse é o fim da primeira história de Zé Pequeno e sua gangue.
Opa... a história não termina aqui não. Zé Pequeno e os comparsas foram encaminhados à delegacia da Vila Mariana (36ºDP), onde o delegado espera que os responsáveis se apresentem e retirem os jovens infratores do distrito policial. O plantonista lavrou apenas um ato infracional.
Infelizmente, logo teremos mais aventuras de Zé Pequeno e sua gangue. Coming Soon.

Por acaso vocês lembram daquele garoto de 12 anos que já tem 11 passagens pela polícia? Especialista em furtar carros? Pois é, seus dias de glória terminaram. Agora ele tem um adversário “à altura”.
O novo menino prodígio gosta de ser chamado de Zé Pequeno (em referência ao personagem do filme Cidade de Deus, que comete crimes desde a infância). Ele é franzino, tem 12 anos e já é chefe de uma quadrilha de adolescentes.
Ele mostrou suas habilidades ontem à noite no Jardim Aeroporto, na zona sul da capital...
Na tarde desta terça-feira (24) o menino foi à concessionária Rumo Norte, localizada na esquina da Rua Viaza com a Avenida Washington Luiz, e ficou impressionado com os carros que ali estavam: Astra, Corsa, Meriva, Montana, Prisma e muitos outros. Mas o que fez os olhos do menor brilhar foi um Celta, que retribuiu o brilho, pois acabara de ser polido.
Mesmo sabendo que ainda faltam seis anos para tirar a carteira, ele não se intimidou. Entrou de cabeça erguida na loja, notou que virou foco de todos os olhares, e sem perder tempo abriu a porta do Celta, entrou e sentou.
O segurança logo veio e...”Pô garoto, sai daí meu...Vaza! vaza”! Essa frase, tão pequena quanto o jovem, cresceu no seu interior, mas como forma de ódio. Já em direção a saída da concessionária, o menino ameaçou: “Eu vou voltar e é para roubar o carro”. O segurança deu de ombros e esqueceu aquela história.
Quem não havia esquecido aquela história era o menino, que agora virou “Zé Pequeno”. Confiante, ele recrutou mais três jovens, de 13, 14 e 15 anos. À noite, o plano seria concretizado. E foi isso que aconteceu.
Na calada da noite, os pestinhas aproveitaram que os vigias estavam distraídos, pularam o muro - de aproximadamente 1 metro e 50 - e foram em busca do carro. Naquele momento, o veículo que estava dando sopa era um Astra quatro portas preto com a chave no contato.
Zé Pequeno assumiu o volante, colocou o banco mais na frente possível e acelerou, arrombando assim o portão de aço da concessionária. Daí em diante foram duas horas de curtição com o novo carro.
O soldado Jerrival Almeida Souza, da 1º Cia. do 12º BPM/M, voltava para casa de mais um dia corrido no trabalho quando avistou um veículo preto parado na Rua Lacedemônia. “Tinha dado uma pane no veículo e eu notei que um menor desceu assustado e ficou olhando para o carro. Como eu sabia que um pouco mais cedo tinha sido furtado um Astra de uma concessionária, isso me chamou a atenção. O que mais me chamou a atenção foi o tamanhinho do que estava dirigindo”, disse.
Quando o soldado se aproximou, Zé Pequeno fez o carro funcionar e saiu em disparada pela contramão. Durantes os três minutos de perseguição Zé Pequeno foi grande, valente e não tirou o pé do acelerador. Mas já dizia meus pais quando eu era menor: “O errado sempre perde”. E foi isso que aconteceu.
Na esquina com a Avenida Santa Catarina o policial, que agora fazia hora extra, abordou a mini quadrilha e fez a apreensão.
E esse é o fim da primeira história de Zé Pequeno e sua gangue.
Opa... a história não termina aqui não. Zé Pequeno e os comparsas foram encaminhados à delegacia da Vila Mariana (36ºDP), onde o delegado espera que os responsáveis se apresentem e retirem os jovens infratores do distrito policial. O plantonista lavrou apenas um ato infracional.
Infelizmente, logo teremos mais aventuras de Zé Pequeno e sua gangue. Coming Soon.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
A preferida II
Ministra continua internada
A madrugada de hoje foi tranquila. Apenas quatro repórteres aguardando um boletim médico – que não saiu – e rápidas entradas ao vivo.
Estacionei o carro próximo ao Hospital Sírio-Libanês por volta da 1h. Lá, já estava uma repórter se preparando para um link e mais dois companheiros da madrugada. O restante chegou depois. Muito frio – pior que ontem – e também muita fome. Mas quem vai ser doido de sair para comprar comida e dar o azar da ministra sair? Isso mesmo: ninguém. A sorte é que por volta das 3hs um motoboy foi entregar pizzas aos seguranças. Pegamos o número e mandamos para dentro uma de mussarela e outra de calabresa (uns mais que outros).
Histórias, histórias, vídeos, fotos, histórias e café, mas sempre atentos a qualquer ruído de carro. Assessoria, como de sempre, sabia menos que a gente (acredito, tá).
Pela manhã a coisa começa a esquentar. Os links das TVs, pacientes e familiares entrando e saindo do Sírio.
Por volta das 8h30, correria. Só deu tempo de pegar o gravador e correr. Flashes. “Quem entrou?! Quem?!”. O secretário do Emprego e Relações do Trabalho do Estado de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, acabara de entrar. Segundo ele, para visitar um amigo. Tudo volta à normalidade.
Do nada começa a conversa sobre as situações mais complicadas que passamos quando não sabemos o nome e quem é o entrevistado que está na sua frente.
Minutos depois, mais correria. Um carro com placa oficial estaciona na entrada principal do hospital. Antes da misteriosa figura sair do veículo, flashes e mais flashes. “Primeiro atira depois pede o documento”. É assim que funciona. Um senhor, de aproximadamente 70 anos, cabelos brancos, 1,70 de altura, sai pela porta traseira do carro de luxo. “Quem?! Alguém conhece?!” Nenhuma resposta, até que um cabra corajoso, no meio da multidão, faz a seguinte pergunta? “Doutor, o senhor visitará a ministra”. Silêncio. O homem, que é um desconhecido, deu de ombros e entrou. Que gafe. Risos. Como escrevi linhas acima: “Primeiro atira depois pede o documento”.
Rendição. Casa às 11hs.
TO BE CONTINUED ???
A madrugada de hoje foi tranquila. Apenas quatro repórteres aguardando um boletim médico – que não saiu – e rápidas entradas ao vivo.
Estacionei o carro próximo ao Hospital Sírio-Libanês por volta da 1h. Lá, já estava uma repórter se preparando para um link e mais dois companheiros da madrugada. O restante chegou depois. Muito frio – pior que ontem – e também muita fome. Mas quem vai ser doido de sair para comprar comida e dar o azar da ministra sair? Isso mesmo: ninguém. A sorte é que por volta das 3hs um motoboy foi entregar pizzas aos seguranças. Pegamos o número e mandamos para dentro uma de mussarela e outra de calabresa (uns mais que outros).
Histórias, histórias, vídeos, fotos, histórias e café, mas sempre atentos a qualquer ruído de carro. Assessoria, como de sempre, sabia menos que a gente (acredito, tá).
Pela manhã a coisa começa a esquentar. Os links das TVs, pacientes e familiares entrando e saindo do Sírio.
Por volta das 8h30, correria. Só deu tempo de pegar o gravador e correr. Flashes. “Quem entrou?! Quem?!”. O secretário do Emprego e Relações do Trabalho do Estado de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, acabara de entrar. Segundo ele, para visitar um amigo. Tudo volta à normalidade.
Do nada começa a conversa sobre as situações mais complicadas que passamos quando não sabemos o nome e quem é o entrevistado que está na sua frente.
Minutos depois, mais correria. Um carro com placa oficial estaciona na entrada principal do hospital. Antes da misteriosa figura sair do veículo, flashes e mais flashes. “Primeiro atira depois pede o documento”. É assim que funciona. Um senhor, de aproximadamente 70 anos, cabelos brancos, 1,70 de altura, sai pela porta traseira do carro de luxo. “Quem?! Alguém conhece?!” Nenhuma resposta, até que um cabra corajoso, no meio da multidão, faz a seguinte pergunta? “Doutor, o senhor visitará a ministra”. Silêncio. O homem, que é um desconhecido, deu de ombros e entrou. Que gafe. Risos. Como escrevi linhas acima: “Primeiro atira depois pede o documento”.
Rendição. Casa às 11hs.
TO BE CONTINUED ???
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terça-feira, 19 de maio de 2009
A preferida
Ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, é internada às pressas no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, depois de fortes dores nas pernas.
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Na noite da última segunda-feira senti que um grande evento aconteceria durante a madrugada, mas como sempre pensei que era bobagem. Às 23h50 entrei no ônibus com destino ao trabalho. Antes de chegar à redação, passei no estacionamento e já reservei a viatura 545 – que normalmente uso – e a deixei estacionada no pátio da emissora. Aperto o botão do elevador, alguns segundos para “o mesmo” descer do 3º andar para o térreo. Quando abre, o chefe de edição. “Tudo bem? Vá à redação e sai de lá voando porque a Dilma está sendo encaminhada ao Sírio-Libanês. Ela passou mal à tarde e logo dará entrada no hospital”. Na menor, menor, menor e menor das hipóteses alguma pauta policial derruba essa. Imprimo algumas notícias e acelero em direção à Sociedade Beneficente de Senhoras – Hospital Sírio-Libanês, na Rua Dona Adma Jafet, número 91, Bela Vista, região central de São Paulo.
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, está tratando um linfona – câncer no sistema linfático – no mesmo hospital e realizou, até o momento, duas sessões de quimioterapia. Essa informação é que nos deixa com a pulga atrás da orelha. Será que as dores são reações ao tratamento? Trombose na região das pernas? O câncer voltou?
Cheguei por lá às 0h20, momento que a ministra sobrevoava alguma cidade no interior paulista. A turma da madrugada e outros repórteres já estavam por lá. Informações: escassas. Apenas o básico.
Na cobertura do vice José Alencar os jornalistas ficaram no saguão do hospital. Nesta terça-feira: negativo. Sem saber disso, um repórter de um grande grupo de comunicação entrou no Sírio-Libanês e se acomodou. A assessora de imprensa, ao invés de conversar e informar que os jornalistas deveriam ficar na “rua”, chamou logo os seguranças. Indignado, ele saiu. Minutos depois a mesma assessora foi cumprimentar o jornalista expulso, mas o gesto não teve retorno por parte dele. Assim, deu início a um bate-boca engraçado:
Repórter: Boba.
Assessora: Bobo é você.
Repórter: Sua babaca.
Assessora: Babaca é você.
Hilário.

“Passa tempo, tic-tac / Tic-tac, passa, hora / Chega logo tic-tac / Tic-tac, e vai-te embora / Passa, tempo / Bem depressa / Não atrasa / Não demora / Que já estou / Muito cansado / Já perdi / Toda a alegria / De fazer / Meu tic-tac / Dia e noite / Noite e dia / Tic-tac / Tic-tac / Tic-tac.”
2h30: uma movimentação de seguranças.
2h50: duas ambulâncias (uma da Unimed e outra que não consegui identificar) descem a Rua Barata Ribeiro e entram no espaço reservado à remoção dos pacientes. A movimentação ao redor dos veículos é grande. Nós não invadimos e esperamos a “ministra” desembarcar. O estranho: a informação que tínhamos era que a ministra faria o trajeto Brasília – Congonhas em um jato da Amil. “Por que raios uma ambulância da Unimed”? (a outra não tinha estampado o logotipo da Amil). Os médicos retiram da ambulância uma pessoa sobre a maca. Nenhuma foto conseguiu confirmar que aquela pessoa era Dilma. É nesse instante que o motorista do JT dá o alerta: um Vectra preto entrava pelo acesso lateral. Correria. Muita correria, mas sem sucesso (para nós). A ministra conseguiu despistar os jornalistas. Ninguém conseguiu a imagem.
Quarenta minutos depois o assessor de imprensa veio ao nosso encontro e divulgou o primeiro boletim médico:
“A Sra. Ministra da Casa Civil Dilma Rousseff apresentou dor de forte intensidade nos membros inferiores, necessitando de medicação endovenosa. A paciente deu entrada no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, às 3h do dia 19 de maio, para a realização de exames. A Sra. Ministra submeteu-se a uma ressonância magnética que mostrou-se dentro da normalidade. Durante o dia de hoje (terça-feira) continuará submetendo-se a novos exames”. Assinam o boletim o diretor técnico do hospital, Antônio Carlos Onofre de Lira, e o diretor clínico, Riad Younes.
Muitas perguntas sem respostas.
5h15. Começa a correria das entradas ao vivo. São Paulo. Porto Alegre. Rio de Janeiro. As TVs armando os links.
Rendição, às 10hs. Fim do expediente. Da 0h20 às 10hs, nenhum médico conversou com a imprensa. A assessoria do hospital sabia menos que nós. Assim é difícil, mas a gente sempre dá um jeito.
Apenas às 11h30 o hospital divulgou o segundo boletim médico:
“A Sra. Ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, segue internada no Hospital Sírio-Libanês desde a madrugada desta terça-feira (19/05), para tratamento de dores nos membros inferiores, causadas por quadro de miopatia. A paciente encontra-se estável com o uso de medicação analgésica”. Assinam o boletim o diretor técnico do hospital, Antônio Carlos Onofre de Lira, e o diretor clínico, Riad Younes.
TO BE CONTINUED ...
Você pode ler a matéria publicada no Estadão aqui.
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Na noite da última segunda-feira senti que um grande evento aconteceria durante a madrugada, mas como sempre pensei que era bobagem. Às 23h50 entrei no ônibus com destino ao trabalho. Antes de chegar à redação, passei no estacionamento e já reservei a viatura 545 – que normalmente uso – e a deixei estacionada no pátio da emissora. Aperto o botão do elevador, alguns segundos para “o mesmo” descer do 3º andar para o térreo. Quando abre, o chefe de edição. “Tudo bem? Vá à redação e sai de lá voando porque a Dilma está sendo encaminhada ao Sírio-Libanês. Ela passou mal à tarde e logo dará entrada no hospital”. Na menor, menor, menor e menor das hipóteses alguma pauta policial derruba essa. Imprimo algumas notícias e acelero em direção à Sociedade Beneficente de Senhoras – Hospital Sírio-Libanês, na Rua Dona Adma Jafet, número 91, Bela Vista, região central de São Paulo.
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, está tratando um linfona – câncer no sistema linfático – no mesmo hospital e realizou, até o momento, duas sessões de quimioterapia. Essa informação é que nos deixa com a pulga atrás da orelha. Será que as dores são reações ao tratamento? Trombose na região das pernas? O câncer voltou?
Cheguei por lá às 0h20, momento que a ministra sobrevoava alguma cidade no interior paulista. A turma da madrugada e outros repórteres já estavam por lá. Informações: escassas. Apenas o básico.
Na cobertura do vice José Alencar os jornalistas ficaram no saguão do hospital. Nesta terça-feira: negativo. Sem saber disso, um repórter de um grande grupo de comunicação entrou no Sírio-Libanês e se acomodou. A assessora de imprensa, ao invés de conversar e informar que os jornalistas deveriam ficar na “rua”, chamou logo os seguranças. Indignado, ele saiu. Minutos depois a mesma assessora foi cumprimentar o jornalista expulso, mas o gesto não teve retorno por parte dele. Assim, deu início a um bate-boca engraçado:
Repórter: Boba.
Assessora: Bobo é você.
Repórter: Sua babaca.
Assessora: Babaca é você.
Hilário.

“Passa tempo, tic-tac / Tic-tac, passa, hora / Chega logo tic-tac / Tic-tac, e vai-te embora / Passa, tempo / Bem depressa / Não atrasa / Não demora / Que já estou / Muito cansado / Já perdi / Toda a alegria / De fazer / Meu tic-tac / Dia e noite / Noite e dia / Tic-tac / Tic-tac / Tic-tac.”
2h30: uma movimentação de seguranças.
2h50: duas ambulâncias (uma da Unimed e outra que não consegui identificar) descem a Rua Barata Ribeiro e entram no espaço reservado à remoção dos pacientes. A movimentação ao redor dos veículos é grande. Nós não invadimos e esperamos a “ministra” desembarcar. O estranho: a informação que tínhamos era que a ministra faria o trajeto Brasília – Congonhas em um jato da Amil. “Por que raios uma ambulância da Unimed”? (a outra não tinha estampado o logotipo da Amil). Os médicos retiram da ambulância uma pessoa sobre a maca. Nenhuma foto conseguiu confirmar que aquela pessoa era Dilma. É nesse instante que o motorista do JT dá o alerta: um Vectra preto entrava pelo acesso lateral. Correria. Muita correria, mas sem sucesso (para nós). A ministra conseguiu despistar os jornalistas. Ninguém conseguiu a imagem.
Quarenta minutos depois o assessor de imprensa veio ao nosso encontro e divulgou o primeiro boletim médico:
“A Sra. Ministra da Casa Civil Dilma Rousseff apresentou dor de forte intensidade nos membros inferiores, necessitando de medicação endovenosa. A paciente deu entrada no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, às 3h do dia 19 de maio, para a realização de exames. A Sra. Ministra submeteu-se a uma ressonância magnética que mostrou-se dentro da normalidade. Durante o dia de hoje (terça-feira) continuará submetendo-se a novos exames”. Assinam o boletim o diretor técnico do hospital, Antônio Carlos Onofre de Lira, e o diretor clínico, Riad Younes.
Muitas perguntas sem respostas.
5h15. Começa a correria das entradas ao vivo. São Paulo. Porto Alegre. Rio de Janeiro. As TVs armando os links.
Rendição, às 10hs. Fim do expediente. Da 0h20 às 10hs, nenhum médico conversou com a imprensa. A assessoria do hospital sabia menos que nós. Assim é difícil, mas a gente sempre dá um jeito.
Apenas às 11h30 o hospital divulgou o segundo boletim médico:
“A Sra. Ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, segue internada no Hospital Sírio-Libanês desde a madrugada desta terça-feira (19/05), para tratamento de dores nos membros inferiores, causadas por quadro de miopatia. A paciente encontra-se estável com o uso de medicação analgésica”. Assinam o boletim o diretor técnico do hospital, Antônio Carlos Onofre de Lira, e o diretor clínico, Riad Younes.
TO BE CONTINUED ...
Você pode ler a matéria publicada no Estadão aqui.
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