Madrugada como a de hoje é 1 em 365 (ok, 366 em ano bissexto). Fechamos cinco casos, isso mesmo, cinco casos policiais fortes, que renderam repercussão.
Tudo começou com a prisão de um bandido que invadiu a residência de um casal de idosos, na Mooca, zona leste de São Paulo, e o agrediu. Dois conseguiram escapar.
O crime foi por volta das 20hs do dia anterior. Eu chego na delegacia do Belém/Brás à 1h. Com o gravador com as pilhas “arriando”, faço um falso ao vivo com o delegado (coisa rara delegado gravar durante a madrugada) e coloco no ar. Ufa. Um pronto.
Durante a entrevista o escuta liga e diz que tem uma nova ocorrência, um pouco longe, no primeiro distrito policial de Santo André. Um homem procurado, suspeito de matar um executivo no começo do ano, é detido dirigindo um Passat velho. Quando chego por lá, por volta das 2hs, toda a imprensa já está a postos. Devagarzinho, devagarzinho, no meio daquela “muvuca” de policiais militares consigo encontrar o soldado que estava na ocorrência. Gravei via celular, porque neste momento as pilhas do meu gravador já morreram, e o segundo caso está fechado.
(Logo depois, ocorre a coletiva com esse policial, mas como já havia fechado minha entrevista, participei como cinegrafista, isso mesmo, um repórter de rádio com uma filmadora na mão, mas com um bom propósito: ajudar um de nossos colegas que está fazendo freela).
Conversas sobre maquiagem para lá, conversas de como pentear o cabelo para lá (sim, os repórteres de TV conhecem bem o assunto) surge uma nova pauta: quadrilha invade o Carrefour da Vila Jacuí e fazem 10 funcionários reféns. Questionamentos: “Meu, onde fica mesmo o 63º DP”? “Zona leste.” “Putz, longe... mas o caso é bom”. “Vamos”.
Quando saía da delegacia de Santo André em direção à ZL, o escuta – graças a Deus – consegue o número do celular do tenente da PM responsável pelo caso. “Vamos entrar ao vivo na RB, tenente?” “Claro”. Ou seja, entrevista ao vivo por telefone e terceiro caso solucionado.
Mas quem disse que a madrugada acabou? Pois bem, volto à redação e vejo o escuta da TV um pouco nervoso, um pouco chateado. “Cara, roubaram a nossa equipe da madrugada na porta do Carrefour. O “mala” levou a câmera (+/- 250 mil reais) e alguma coisa do repórter e do cinegrafista”. O quarto caso está aí. Ainda bem, nenhum dos dois amigos não ficaram feridos.
E o quinto? Bem, esse fechei pela redação mesmo. Um menino de nove anos foi vítima de uma bala perdida durante troca de tiros entre “menores infratores” e policiais militares na região do Tremembé, zona norte. Não rendeu sonora, mas uma fonte na PM passou o caso e aí sim, acabou por hoje.
Acabaram as matérias, mas tive que entrar ao vivo no Datena às 10h20min e ficar na redação até as 13hs por causa da reunião da Copa do Mundo.
Isso é mais um dia na vida de um repórter... mas o repórter que falar que não gosta dessa correria, não é repórter de verdade.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Renato e Renato
Dois crimes. Duas pessoas. Dois nomes iguais. Destinos diferentes.
Renato de Holanda Bessa Junior tem 26 anos, morador de Boa Vista, capital de Roraima. Boa condição financeira - aliás, o pai é capitão reformado da polícia militar do Estado. Ele é atraído pelo dinheiro fácil e entra para o tráfico de drogas. Renato foi preso ontem à tarde após uma emboscada feita por policiais civis, que o seguiam há aproximadamente dois meses, transportando 100 quilos de cocaína no fundo falso da caçamba de uma caminhonete com placas de Maringá. Ele trazia os entorpecentes do Paraná e entregaria em São Paulo. O valor para realizar o transporte: US$10 mil. Destino: Cadeia.
Ouça
Renato Alves da Silva tem 31 anos, morador do bairro Guaianazes, na zona leste de São Paulo. Não tem uma boa condição financeira. Renato passou parte da vida na cadeia. Há três meses foi liberado. Como o outro Renato, esse aqui também é especializado em transporte, mas de passageiros. Todos os dias ele leva e trás várias pessoas entre o Jardim São Paulo e a Estação Corinthians-Itaquera do Metrô. Renato agora é motorista em uma cooperativa de ônibus da capital. Ontem à noite, logo após a última viagem, ele foi executado dentro da lotação em que trabalhava. O atirador fugiu. Destino: (...)
Ouça
*Esses foram os dois casos que cobrimos na madrugada do dia 17/05/10
** Com informações da polícia civil, militar e testemunhas
Renato de Holanda Bessa Junior tem 26 anos, morador de Boa Vista, capital de Roraima. Boa condição financeira - aliás, o pai é capitão reformado da polícia militar do Estado. Ele é atraído pelo dinheiro fácil e entra para o tráfico de drogas. Renato foi preso ontem à tarde após uma emboscada feita por policiais civis, que o seguiam há aproximadamente dois meses, transportando 100 quilos de cocaína no fundo falso da caçamba de uma caminhonete com placas de Maringá. Ele trazia os entorpecentes do Paraná e entregaria em São Paulo. O valor para realizar o transporte: US$10 mil. Destino: Cadeia.
Ouça
Renato Alves da Silva tem 31 anos, morador do bairro Guaianazes, na zona leste de São Paulo. Não tem uma boa condição financeira. Renato passou parte da vida na cadeia. Há três meses foi liberado. Como o outro Renato, esse aqui também é especializado em transporte, mas de passageiros. Todos os dias ele leva e trás várias pessoas entre o Jardim São Paulo e a Estação Corinthians-Itaquera do Metrô. Renato agora é motorista em uma cooperativa de ônibus da capital. Ontem à noite, logo após a última viagem, ele foi executado dentro da lotação em que trabalhava. O atirador fugiu. Destino: (...)
Ouça
*Esses foram os dois casos que cobrimos na madrugada do dia 17/05/10
** Com informações da polícia civil, militar e testemunhas
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quarta-feira, 5 de maio de 2010
...depois da pauta... o papo
Este flagra é do repórter fotográfico JB Neto / AE. A foto foi tirada logo depois da entrevista com o delegado Carlos Alberto Delaye, do 92º DP (Parque Santo Antônio), que nos deu mais detalhes sobre a execução de um escrivão, da mesma delegacia, dentro de um bar no Capão Redondo.

A foto foi tirada exatamente na Rua Francisco Passarini, por volta das 2hs do dia 04/05/2010, um dia antes do meu aniversário de 23 anos, durante uma conversa informal na porta da igreja, que não sei o nome.
Na película temos o fotógrafo Lumi Zunica (Diário de S. Paulo), que ainda está fora da conversa (rs), Eliezer dos Santos (Rádio Bandeirantes), Gio "bunda" Mendes (Diário de S. Paulo), Rogerio Lacanna (Folha de S. Paulo), que está escondido, e Bruno Lupion (Jornal da Tarde).
Pois é, essa cena fez recordar o refrão "Acorda sangue bom, aqui é Capão Redondo, tru, não pokemon, Zona Sul é invés, é stress concentrado, um coração ferido, por metro quadrado..." (Vida Loka II / Racionais MCs)
A foto foi tirada exatamente na Rua Francisco Passarini, por volta das 2hs do dia 04/05/2010, um dia antes do meu aniversário de 23 anos, durante uma conversa informal na porta da igreja, que não sei o nome.
Na película temos o fotógrafo Lumi Zunica (Diário de S. Paulo), que ainda está fora da conversa (rs), Eliezer dos Santos (Rádio Bandeirantes), Gio "bunda" Mendes (Diário de S. Paulo), Rogerio Lacanna (Folha de S. Paulo), que está escondido, e Bruno Lupion (Jornal da Tarde).
Pois é, essa cena fez recordar o refrão "Acorda sangue bom, aqui é Capão Redondo, tru, não pokemon, Zona Sul é invés, é stress concentrado, um coração ferido, por metro quadrado..." (Vida Loka II / Racionais MCs)
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Verbo: Engolir
Na madrugada da última segunda-feira fiz a história de um casal de colombianos que engoliu cerca de 70 preservativos cheios de cocaína. Estava de passagem pelo Brasil e tinha como destino Israel, mas a natureza falou mais alto e o plano foi por privada abaixo.
Na noite de terça-feira, uma estudante universitária foi atingida na boca durante tiroteio entre PM e bandidos em frente ao portão 10 do Parque Ibirapuera, perto da Assembleia Legislativa. Por incrível que pareça, a jovem engoliu a bala, literalmente.
No caso dos colombianos, os pacotinhos (que não eram tão pequenos assim) saíram naturalmente.
No caso da universitária, que passa bem, a polícia aguarda o projétil para analisar de onde o mesmo partiu: da arma do bandido ou do soldado. O resultado sai em aproximadamente 30 dias.
Na noite de terça-feira, uma estudante universitária foi atingida na boca durante tiroteio entre PM e bandidos em frente ao portão 10 do Parque Ibirapuera, perto da Assembleia Legislativa. Por incrível que pareça, a jovem engoliu a bala, literalmente.
No caso dos colombianos, os pacotinhos (que não eram tão pequenos assim) saíram naturalmente.
No caso da universitária, que passa bem, a polícia aguarda o projétil para analisar de onde o mesmo partiu: da arma do bandido ou do soldado. O resultado sai em aproximadamente 30 dias.
Silva Bueno x Lord Cochrane
No começo do mês sofri meu primeiro - e espero que seja o último - acidente automobilístico. Para não bater na lateral de um carro que entrou na contramão, fui obrigado a jogar o meu Celta na frente de outro veículo. Choque frontal. Baita burocracia. Seguro acionado. Carro da “vítima” concertado. O “terceiro” fugiu. Paguei a franquia (muito cara), mas melhor assim, porque ninguém ficou ferido.
Madrugada de quinta-feira (22/04) fui acionado para fazer a suíte de um acidente de trânsito no Ipiranga. Acidente feio envolvendo um ônibus e quatro carros. Duas mulheres não tiveram sorte.
Final da tarde de quarta-feira, 21 de abril de 2010, feriado nacional em memória a Tiradentes. Ao volante do Fiesta preto está Adriana Carvajal de Oliveira, de 45 anos. No banco do carona está a mãe, Piedade Carvajal, de 70 anos. No banco traseiro brincam um menino de 11 meses, um de 7 anos e uma mulher de 44 anos.
No mesmo momento, Antonio Pádua dirige um ônibus verde e branco, da viação ViaSul, número 51814. O veículo saiu da Praça do Correio, no centro, e tinha como destino o Terminal Sacomã, na zona sul.
Como o trânsito na cidade estava livre, Antônio aproveita para ganhar tempo e às vezes pisa um pouco mais forte no pedal da direita.
O veículo, com aproximadamente 10 passageiros, segue pela Rua Silva Bueno. Poucos metros de chegar ao cruzamento com a Lord Cochrane, o semáforo a sua frente fica amarelo. Antonio Pádua acelera. A luz vermelha do “farol” acende. Antonio Pádua continua com o pé no acelerador.
Em uma fração de segundos, aparece em sua frente o carro guiado por Adriana Carvajal. A mãe dela, que está à sua direta, apenas ouve o barulho de uma freada brusca. Mais nada. A motorista do carro ainda percebe quem a atingiu, mas também não consegue fazer nada além de um leve olha à direita, por instinto. Os médicos constatam a morte no local.
O ônibus, agora desgovernado, ainda destrói um Escort vinho e bate em um Renault Clio azul e uma Ford Ranger preta. Os três veículos estavam estacionados na altura do 1.640 da Silva Bueno, mas sem ocupantes.
No banco traseiro do Fiesta ainda há o desespero das duas crianças e da mulher. Os três são socorridos e levados às pressas à Santa Casa de Misericórdia, gravemente feridos.
Agora que cai a ficha de Antonio. Agora cai a ficha das testemunhas, que em um primeiro momento tentaram linchar o motorista do ônibus. O homem teve que ser levado não ao hospital, mas sim à delegacia de número 17, que fica próxima ao local do acidente.
Chego ao distrito policial por volta da 1h do outro dia, para fechar uma suíte do caso (dar um passo a frente na história). Do nada aparece uma testemunha no DP em um Fiesta, vestido com a camisa do SPFC, no qual gera uma entrevista.
Aguardo a saída do motorista Antonio Pádua, o que não ocorre com a presença da imprensa na porta da delegacia. Mas, óbvio, saiu. Com o pagamento de R$ 1.230,00 ele é liberado e responderá o processo em liberdade pelo homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Ao lado da porta por onde passa o motorista do ônibus, na saída da delegacia, está estacionado o Fiesta preto, todo destruído.
O olhar é inevitável.
*texto baseado no relato de testemunhas.
Madrugada de quinta-feira (22/04) fui acionado para fazer a suíte de um acidente de trânsito no Ipiranga. Acidente feio envolvendo um ônibus e quatro carros. Duas mulheres não tiveram sorte.
Final da tarde de quarta-feira, 21 de abril de 2010, feriado nacional em memória a Tiradentes. Ao volante do Fiesta preto está Adriana Carvajal de Oliveira, de 45 anos. No banco do carona está a mãe, Piedade Carvajal, de 70 anos. No banco traseiro brincam um menino de 11 meses, um de 7 anos e uma mulher de 44 anos.
No mesmo momento, Antonio Pádua dirige um ônibus verde e branco, da viação ViaSul, número 51814. O veículo saiu da Praça do Correio, no centro, e tinha como destino o Terminal Sacomã, na zona sul.
Como o trânsito na cidade estava livre, Antônio aproveita para ganhar tempo e às vezes pisa um pouco mais forte no pedal da direita.
O veículo, com aproximadamente 10 passageiros, segue pela Rua Silva Bueno. Poucos metros de chegar ao cruzamento com a Lord Cochrane, o semáforo a sua frente fica amarelo. Antonio Pádua acelera. A luz vermelha do “farol” acende. Antonio Pádua continua com o pé no acelerador.
Em uma fração de segundos, aparece em sua frente o carro guiado por Adriana Carvajal. A mãe dela, que está à sua direta, apenas ouve o barulho de uma freada brusca. Mais nada. A motorista do carro ainda percebe quem a atingiu, mas também não consegue fazer nada além de um leve olha à direita, por instinto. Os médicos constatam a morte no local.
O ônibus, agora desgovernado, ainda destrói um Escort vinho e bate em um Renault Clio azul e uma Ford Ranger preta. Os três veículos estavam estacionados na altura do 1.640 da Silva Bueno, mas sem ocupantes.
No banco traseiro do Fiesta ainda há o desespero das duas crianças e da mulher. Os três são socorridos e levados às pressas à Santa Casa de Misericórdia, gravemente feridos.
Agora que cai a ficha de Antonio. Agora cai a ficha das testemunhas, que em um primeiro momento tentaram linchar o motorista do ônibus. O homem teve que ser levado não ao hospital, mas sim à delegacia de número 17, que fica próxima ao local do acidente.
Chego ao distrito policial por volta da 1h do outro dia, para fechar uma suíte do caso (dar um passo a frente na história). Do nada aparece uma testemunha no DP em um Fiesta, vestido com a camisa do SPFC, no qual gera uma entrevista.
Aguardo a saída do motorista Antonio Pádua, o que não ocorre com a presença da imprensa na porta da delegacia. Mas, óbvio, saiu. Com o pagamento de R$ 1.230,00 ele é liberado e responderá o processo em liberdade pelo homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Ao lado da porta por onde passa o motorista do ônibus, na saída da delegacia, está estacionado o Fiesta preto, todo destruído.
O olhar é inevitável.
*texto baseado no relato de testemunhas.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
O último voo do "Águia"
Helicóptero da Record, o Águia Dourada, cai no início da manhã (10/2) em uma área gramada do Jóquei Clube de São Paulo, na zona oeste da capital. Um morto e um ferido.
Águia Dourada: “Sobrevoando a região do Morumbi, com vocês”
Globocop: “Ok”
A conversa é entre o piloto Rafael Delgado Sobrinho, que está com o cinegrafista Alexandre “Borracha” no Águia Dourada, e Dato de Oliveira, que comanda o Globocop. Ambos sobrevoam, lado a lado, a Avenida Morumbi, na zona sul de São Paulo.
Águia Dourada: “Dato, eu estou com problema no rotor de cauda e não consigo manter a proa. Estou indo lá para o Jóquei”
Globocop: “Tenta fazer um pouso corrido (igual ao feito pelos aviões)”
Águia Dourada: “Vou tentar”
50 metros sobre o Jóquei Clube, o helicóptero modelo Esquilo prefixo PT – YRE começa a girar, sem rumo, no céu paulistano. Uma, duas, três, quatro, cinco voltas. Começa a sair fumaça e combustível. Seis, sete, oito. Violentamente a aeronave bate no chão gramado de um dos acessos do jóquei. A hélice gira e quebra ao colidir com o solo. O piloto Rafael Delgado Sobrinho morre no banco direito. O companheiro, ainda consciente, coloca os braços para fora e pede ajuda. A cena é filmada do alto, a todo o momento, pelo Globocop, que pousa segundos depois. Dato desce e presta os primeiros socorros.
Mais uma madrugada com casos normais, até parada por sinal. Fecho rapidamente um boletim sobre a apreensão de mais de 800 cartões clonados em Heliópolis, além da prisão de um homem, duas mulheres e a apreensão de uma adolescente. Entrevista com o investigador, fichinha. No final da madrugada, lá pelas seis horas, faço a última ligação para o Copom e quem atende é o sargento Osni, que já acostumado informa que “está tudo tranquilo na cidade, nenhuma ocorrência”. Duas entradas no Pulo do Gato, conhecido na redação pela abreviação PUL, e quase fim do dia.
Mando o relatório para a chefia de reportagem com os dizeres “temos apenas um caso hoje...”. Explico o que rolou e o ponteiro do relógio já quase marcando sete horas.
Daí para frente... o fim do dia se transforma, na verdade, no começo.
Uma das seis TVs da redação está no BDSP e outra na Record. De cara um link na Avenida Morumbi. A repórter informa: “Criminosos fazem reféns em comércio e usam uma carreta para furtar caixas eletrônicos de uma agência do Unibanco...”. No banco da chefia: “Eli...você tem isso?”.
“Merda, isso foi às 4h15 e a PM segurou até as 6h01”, penso. Pego rapidamente os dados com a PM por telefone, passo para o repórter que está chegando ao local e acabou. “Vou para casa”.
Como a Avenida Morumbi está interditada, as emissoras de TV utilizam seus helicópteros para dar a dimensão do congestionamento. O da Record sai rapidamente e o da Globo continua, isso às 7h20.
Ás 7h34 faço logoff no PC e ouço uma das produtoras falando não sei com quem, mas comum tom carregado na voz: “Parece que caiu um helicóptero.”
Segundos depois, antes mesmo de colocar o traseiro na cadeira, olho a TV que está mais ao alto e aparece a imagem que ninguém queria ver...
“Onde”?, pergunta o chefe. “Jóquei”, respondo. “VAMOS LÁ, ELI”... nunca saí tão rápido da redação. Desço literalmente correndo os dois lances de escada que dão acesso ao hall da TV e mais um lance até o estacionamento. Chave na ignição. “Caneta, caderno,microfone, celular, tudo aqui...vão bóra (sic)”.
Pisca alerta ligado, buzina e muitos “SAI DA FRENTE”. Da redação ao jóquei, no horário de pico, uns 15 minutos. Fiz em 10.
Vejo um marronzinho na Avenida Lineu de Paula Machado, ao lado do portão do jóquie, e “posso deixar o carro aqui, na rua”. “Não”. “Pô meu, tô trabalhando, você não viu que caiu um helicóptero aí dentro”? “Ué, então coloca lá dentro”.
Não deu outra. Vejo a cancela aberta, ignoro a presença dos seguranças e estaciono o Focus Sedan lá dentro. “Oh oh oh...que palhaçada é essa. Quem mandou você entrar”? Curto e grosso, respondo. “A CET”. “E desde quando a CET manda aqui”. “Você tá tirando uma comigo? Entrei, mas estou falando com você na boa”.
Claro, fui convidado a sair a força, mas mesmo assim valeu uma entrada no jornal pelo celular.
Como o último retorno na Lineu de Paula Machado estava lá trás, foi obrigado a contornar todo o jóquei pela marginal e consegui deixar o carro em um posto de combustíveis, justamente em cima do tanque. Não vi e saí correndo até a portaria seis - uns 600 metros de distância. Mesmo assim sou o segundo a chegar, atrás da repórter da Capital AM.
A redação passa as informações iniciais e vamos para o ar novamente. A entrada ao jóquei ainda é bloqueada, mas encontramos uma fresta entre as grades que dá para ver parte do helicóptero. Nessa hora já estou acompanhado dos amigos das emissoras de rádio, TV e o pessoal do impresso e internet.
Os cinegrafistas e fotógrafos sobem em um muro de quatro metros de altura, do próprio jóquei, para fazer as imagens. Dez minutos depois, e depois de muito papo, a nossa entrada é liberada.
A primeira visão é terrível. A aeronave dourada com a parte frontal totalmente destruída, as hélices superiores quebradas e o corpo do piloto ao lado, já coberto com papel alumínio. No “campo do jóquei” outros dois helicópteros semelhantes. Um preto, da polícia civil, e outro azul, da Globo.
“E agora, quem vai falar”? O primeiro entrevistado é um dos enfermeiros que realizou o atendimento ao cinegrafista. “PRODUÇÃO...VAMOS AO VIVO. PODE PLUGAR”. Enquanto converso com ele o olho já está na próxima testemunha: um jardineiro que viu a queda. “Central, grava aí”.
Minutos depois encontro o piloto do Globocop, que está bastante abalado. Branco. Pálido. Ofegante. Ele fala sobre os minutos antes do acidente, as recomendações para o pouso de emergência, a tentativa do comandante de fugir da Marginal do Pinheiros, o último contato com o “amigo”. A queda. Descrição que, sinceramente, comove a mim e aos colegas jornalistas.
Entradas alternadas nas praças São Paulo e Porto Alegre.
A aeronáutica chega. O tenente coronel no telefone em um local de acesso proibido aos jornalistas, bem além do cordão de isolamento feito pelos policiais militares. Quando ele desliga o celular, não tenho outra escolha: “chamá-lo com um tom de voz superior ao utilizado nas conversas formais”, para não falar que sou obrigado a gritar para ele escutar.
Muito simpático, cumprimenta e, a entrevista que seria minha, vira coletiva de imprensa. Afinal, estamos todos no mesmo barco.
Última entrada, na abertura do Manhã Bandeirantes. “Tum...tum...”, apita o celular. No visor “bateria fraca”. A solução. “Mark (repórter da BandNewsFM), vou usar o seu telefone, é rápido. Cara, é a última entrada. Não pode dar errado”. “Tranquilo, é todo seu”.
Às 12hs, já na redação, fecho a edição com as sonoras colocadas por mim e pela produção, depois reunião de pauta, rango e casa, lá pelas 15hs.
Águia Dourada: “Sobrevoando a região do Morumbi, com vocês”
Globocop: “Ok”
A conversa é entre o piloto Rafael Delgado Sobrinho, que está com o cinegrafista Alexandre “Borracha” no Águia Dourada, e Dato de Oliveira, que comanda o Globocop. Ambos sobrevoam, lado a lado, a Avenida Morumbi, na zona sul de São Paulo.
Águia Dourada: “Dato, eu estou com problema no rotor de cauda e não consigo manter a proa. Estou indo lá para o Jóquei”
Globocop: “Tenta fazer um pouso corrido (igual ao feito pelos aviões)”
Águia Dourada: “Vou tentar”
50 metros sobre o Jóquei Clube, o helicóptero modelo Esquilo prefixo PT – YRE começa a girar, sem rumo, no céu paulistano. Uma, duas, três, quatro, cinco voltas. Começa a sair fumaça e combustível. Seis, sete, oito. Violentamente a aeronave bate no chão gramado de um dos acessos do jóquei. A hélice gira e quebra ao colidir com o solo. O piloto Rafael Delgado Sobrinho morre no banco direito. O companheiro, ainda consciente, coloca os braços para fora e pede ajuda. A cena é filmada do alto, a todo o momento, pelo Globocop, que pousa segundos depois. Dato desce e presta os primeiros socorros.
Mais uma madrugada com casos normais, até parada por sinal. Fecho rapidamente um boletim sobre a apreensão de mais de 800 cartões clonados em Heliópolis, além da prisão de um homem, duas mulheres e a apreensão de uma adolescente. Entrevista com o investigador, fichinha. No final da madrugada, lá pelas seis horas, faço a última ligação para o Copom e quem atende é o sargento Osni, que já acostumado informa que “está tudo tranquilo na cidade, nenhuma ocorrência”. Duas entradas no Pulo do Gato, conhecido na redação pela abreviação PUL, e quase fim do dia.
Mando o relatório para a chefia de reportagem com os dizeres “temos apenas um caso hoje...”. Explico o que rolou e o ponteiro do relógio já quase marcando sete horas.
Daí para frente... o fim do dia se transforma, na verdade, no começo.
Uma das seis TVs da redação está no BDSP e outra na Record. De cara um link na Avenida Morumbi. A repórter informa: “Criminosos fazem reféns em comércio e usam uma carreta para furtar caixas eletrônicos de uma agência do Unibanco...”. No banco da chefia: “Eli...você tem isso?”.
“Merda, isso foi às 4h15 e a PM segurou até as 6h01”, penso. Pego rapidamente os dados com a PM por telefone, passo para o repórter que está chegando ao local e acabou. “Vou para casa”.
Como a Avenida Morumbi está interditada, as emissoras de TV utilizam seus helicópteros para dar a dimensão do congestionamento. O da Record sai rapidamente e o da Globo continua, isso às 7h20.
Ás 7h34 faço logoff no PC e ouço uma das produtoras falando não sei com quem, mas comum tom carregado na voz: “Parece que caiu um helicóptero.”
Segundos depois, antes mesmo de colocar o traseiro na cadeira, olho a TV que está mais ao alto e aparece a imagem que ninguém queria ver...
“Onde”?, pergunta o chefe. “Jóquei”, respondo. “VAMOS LÁ, ELI”... nunca saí tão rápido da redação. Desço literalmente correndo os dois lances de escada que dão acesso ao hall da TV e mais um lance até o estacionamento. Chave na ignição. “Caneta, caderno,microfone, celular, tudo aqui...vão bóra (sic)”.
Pisca alerta ligado, buzina e muitos “SAI DA FRENTE”. Da redação ao jóquei, no horário de pico, uns 15 minutos. Fiz em 10.
Vejo um marronzinho na Avenida Lineu de Paula Machado, ao lado do portão do jóquie, e “posso deixar o carro aqui, na rua”. “Não”. “Pô meu, tô trabalhando, você não viu que caiu um helicóptero aí dentro”? “Ué, então coloca lá dentro”.
Não deu outra. Vejo a cancela aberta, ignoro a presença dos seguranças e estaciono o Focus Sedan lá dentro. “Oh oh oh...que palhaçada é essa. Quem mandou você entrar”? Curto e grosso, respondo. “A CET”. “E desde quando a CET manda aqui”. “Você tá tirando uma comigo? Entrei, mas estou falando com você na boa”.
Claro, fui convidado a sair a força, mas mesmo assim valeu uma entrada no jornal pelo celular.
Como o último retorno na Lineu de Paula Machado estava lá trás, foi obrigado a contornar todo o jóquei pela marginal e consegui deixar o carro em um posto de combustíveis, justamente em cima do tanque. Não vi e saí correndo até a portaria seis - uns 600 metros de distância. Mesmo assim sou o segundo a chegar, atrás da repórter da Capital AM.
A redação passa as informações iniciais e vamos para o ar novamente. A entrada ao jóquei ainda é bloqueada, mas encontramos uma fresta entre as grades que dá para ver parte do helicóptero. Nessa hora já estou acompanhado dos amigos das emissoras de rádio, TV e o pessoal do impresso e internet.
Os cinegrafistas e fotógrafos sobem em um muro de quatro metros de altura, do próprio jóquei, para fazer as imagens. Dez minutos depois, e depois de muito papo, a nossa entrada é liberada.
A primeira visão é terrível. A aeronave dourada com a parte frontal totalmente destruída, as hélices superiores quebradas e o corpo do piloto ao lado, já coberto com papel alumínio. No “campo do jóquei” outros dois helicópteros semelhantes. Um preto, da polícia civil, e outro azul, da Globo.
“E agora, quem vai falar”? O primeiro entrevistado é um dos enfermeiros que realizou o atendimento ao cinegrafista. “PRODUÇÃO...VAMOS AO VIVO. PODE PLUGAR”. Enquanto converso com ele o olho já está na próxima testemunha: um jardineiro que viu a queda. “Central, grava aí”.
Minutos depois encontro o piloto do Globocop, que está bastante abalado. Branco. Pálido. Ofegante. Ele fala sobre os minutos antes do acidente, as recomendações para o pouso de emergência, a tentativa do comandante de fugir da Marginal do Pinheiros, o último contato com o “amigo”. A queda. Descrição que, sinceramente, comove a mim e aos colegas jornalistas.
Entradas alternadas nas praças São Paulo e Porto Alegre.
A aeronáutica chega. O tenente coronel no telefone em um local de acesso proibido aos jornalistas, bem além do cordão de isolamento feito pelos policiais militares. Quando ele desliga o celular, não tenho outra escolha: “chamá-lo com um tom de voz superior ao utilizado nas conversas formais”, para não falar que sou obrigado a gritar para ele escutar.
Muito simpático, cumprimenta e, a entrevista que seria minha, vira coletiva de imprensa. Afinal, estamos todos no mesmo barco.
Última entrada, na abertura do Manhã Bandeirantes. “Tum...tum...”, apita o celular. No visor “bateria fraca”. A solução. “Mark (repórter da BandNewsFM), vou usar o seu telefone, é rápido. Cara, é a última entrada. Não pode dar errado”. “Tranquilo, é todo seu”.
Às 12hs, já na redação, fecho a edição com as sonoras colocadas por mim e pela produção, depois reunião de pauta, rango e casa, lá pelas 15hs.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Quem quer ser um milionário...
Um grupo de criminosos cava um túnel e furta cerca de R$10 mi de uma transportadora de valores na zona oeste de São Paulo

Um dia vou ser milionário. Sei lá como. Ok, confesso: sempre que posso faço meu joginho na Mega-Sena - nunca acertei uma quadra – mas um dia pode dar certo. Ah, falando em jogo, você viu a final do Campeonato Brasileiro? Emocionante, não? O Flamengo, campeão, levou milhões para Gávea.
Aposto que às 17hs do domingo você estava acompanhando de alguma forma o desenrolar da última rodada. O “bicho pegando” no país inteiro. Neste mesmo horário, o segurança de uma transportadora de valores, que também acompanha a loteria que é o futebol nacional, ouve um barulho estranho vindo da direção da sala onde está o cofre da empresa. Ele pensa: “deve ser nada de mais. São fogos de artifício na rua. Torcedores”.
Naquele momento, nascia pelo menos mais um milionário no Brasil.
23h. Domingo, 7 de dezembro de 2009. Neste dia chego mais cedo à redação. Por lá sete pessoas prontas para o final do plantão e troca de turno. Penso: “Mais uma segunda-feira que deve ser tranquila. Devo ficar atento apenas com os palmeirenses, que pretendem fazer manifestações em frente ao Parque Antárctica”. Ler e-mails, colocar a conversa em dia e eis que toca o telefone. No outro lado da linha a informação: “Meu (com sotaque paulista), temos um caso complicado!”. Peguei os dados iniciais e rumo à Rua José Mascaro, na Vila Jaguara, zona oeste.
16,2 KMs depois estou lá, o segundo a chegar ao local da ocorrência por parte da imprensa (lá já estava um cinegrafista amador). Na rua também havia uma viatura da PM com dois soldados preservando uma casa, que não quiseram dar mais detalhes do caso. Pois bem, fui ao 33º DP.
Na delegacia as coisas começam a clarear. Um homem de calça jeans clara e camiseta amarela, aparentemente abalado, conversa com dois PMs já conhecidos de outras ocorrências. Minutos depois descubro que aquele homem é o dono da transportadora que acabara de ser invadida. Não quer conversa. Ok, respeito a situação.
Um dos policiais militares me chama de canto e passa as informações em off: “É o seguinte: os caras – não sei quantos – compraram uma casa (há quatro meses) na Rua José Mascaro, cavaram um túnel até a empresa Transnacional Transporte de Valores e Segurança Patrimonial Ltda., no número 54 da Praça Barão de Ibirocaí, e fugiram pelo mesmo túnel com cerca R$10 mi, mas ainda não temos o valor exato.

Volto ao local da ocorrência e a situação é outra: a informação vazou e todos os amigos da imprensa paulistana já tinham chegado.
Nenhum policial fala, o dono não fala, funcionários não falam, quem fala? Neste momento aparece na porta de casa (ao lado da “residência dos bandidos”) a dona de casa Regiane Nascimento. Negocio a entrevista e ela dá informações importantes para a história:
Minutos depois chega a perícia e o delegado da Delegacia de Roubo a Bancos do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (DEIC), que – como de costume – não grava entrevista. Caso fechado, vamos para o ar...
Segundo a polícia civil, na casa que serviu como ponto de partida do túnel foram encontrados um mapa com o esquema da fuga, algumas notas de dinheiro espalhadas pelo chão e vários sacos com terra. As paredes tinham sido pintadas para esconder impressões digitais dos bandidos. O túnel tinha cerca de 100 metros de comprimento, 1 metro de largura e 1 metro de altura. Ele era escorado por peças de aço para não desmoronar. Foram cerca de quatro meses para ele ficar pronto. Para seguir em linha reta, provavelmente os ladrões usaram GPSs com coordenadas exatas do local onde estava o cofre. Para não chamar a atenção, os bandidos colocaram enfeites natalinos no quintal. A fuga foi realizada em pelo menos um carro com baú. Parte das câmeras do circuito interno de segurança estava desligada. Tudo leva a crer que algum funcionário da transportadora de valores também ficou milionário. Ninguém foi preso até o momento. Ah, quarta-feira tem Mega-Sena acumulada. Quem quer ser um milionário?

Um dia vou ser milionário. Sei lá como. Ok, confesso: sempre que posso faço meu joginho na Mega-Sena - nunca acertei uma quadra – mas um dia pode dar certo. Ah, falando em jogo, você viu a final do Campeonato Brasileiro? Emocionante, não? O Flamengo, campeão, levou milhões para Gávea.
Aposto que às 17hs do domingo você estava acompanhando de alguma forma o desenrolar da última rodada. O “bicho pegando” no país inteiro. Neste mesmo horário, o segurança de uma transportadora de valores, que também acompanha a loteria que é o futebol nacional, ouve um barulho estranho vindo da direção da sala onde está o cofre da empresa. Ele pensa: “deve ser nada de mais. São fogos de artifício na rua. Torcedores”.
Naquele momento, nascia pelo menos mais um milionário no Brasil.
23h. Domingo, 7 de dezembro de 2009. Neste dia chego mais cedo à redação. Por lá sete pessoas prontas para o final do plantão e troca de turno. Penso: “Mais uma segunda-feira que deve ser tranquila. Devo ficar atento apenas com os palmeirenses, que pretendem fazer manifestações em frente ao Parque Antárctica”. Ler e-mails, colocar a conversa em dia e eis que toca o telefone. No outro lado da linha a informação: “Meu (com sotaque paulista), temos um caso complicado!”. Peguei os dados iniciais e rumo à Rua José Mascaro, na Vila Jaguara, zona oeste.
16,2 KMs depois estou lá, o segundo a chegar ao local da ocorrência por parte da imprensa (lá já estava um cinegrafista amador). Na rua também havia uma viatura da PM com dois soldados preservando uma casa, que não quiseram dar mais detalhes do caso. Pois bem, fui ao 33º DP.
Na delegacia as coisas começam a clarear. Um homem de calça jeans clara e camiseta amarela, aparentemente abalado, conversa com dois PMs já conhecidos de outras ocorrências. Minutos depois descubro que aquele homem é o dono da transportadora que acabara de ser invadida. Não quer conversa. Ok, respeito a situação.
Um dos policiais militares me chama de canto e passa as informações em off: “É o seguinte: os caras – não sei quantos – compraram uma casa (há quatro meses) na Rua José Mascaro, cavaram um túnel até a empresa Transnacional Transporte de Valores e Segurança Patrimonial Ltda., no número 54 da Praça Barão de Ibirocaí, e fugiram pelo mesmo túnel com cerca R$10 mi, mas ainda não temos o valor exato.

Volto ao local da ocorrência e a situação é outra: a informação vazou e todos os amigos da imprensa paulistana já tinham chegado.
Nenhum policial fala, o dono não fala, funcionários não falam, quem fala? Neste momento aparece na porta de casa (ao lado da “residência dos bandidos”) a dona de casa Regiane Nascimento. Negocio a entrevista e ela dá informações importantes para a história:
Minutos depois chega a perícia e o delegado da Delegacia de Roubo a Bancos do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (DEIC), que – como de costume – não grava entrevista. Caso fechado, vamos para o ar...
Segundo a polícia civil, na casa que serviu como ponto de partida do túnel foram encontrados um mapa com o esquema da fuga, algumas notas de dinheiro espalhadas pelo chão e vários sacos com terra. As paredes tinham sido pintadas para esconder impressões digitais dos bandidos. O túnel tinha cerca de 100 metros de comprimento, 1 metro de largura e 1 metro de altura. Ele era escorado por peças de aço para não desmoronar. Foram cerca de quatro meses para ele ficar pronto. Para seguir em linha reta, provavelmente os ladrões usaram GPSs com coordenadas exatas do local onde estava o cofre. Para não chamar a atenção, os bandidos colocaram enfeites natalinos no quintal. A fuga foi realizada em pelo menos um carro com baú. Parte das câmeras do circuito interno de segurança estava desligada. Tudo leva a crer que algum funcionário da transportadora de valores também ficou milionário. Ninguém foi preso até o momento. Ah, quarta-feira tem Mega-Sena acumulada. Quem quer ser um milionário?
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